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Setor de serviços deve crescer o dobro do PIB, puxado por turismo, restaurantes, internet e salões de beleza

4  Ou 2012 04:39 | Economia

O brasileiro melhorou de renda, ampliou gastos no setor de serviços e agora vai querer manter e aumentar suas conquistas. E com isso, o setor serviços vai continuar expandindo acima da média na comparação com outras áreas e, segundo projeção da Confederação Nacional dos Serviços (CNS) deve fechar este ano com alta de 3%, contra 1,6% estimado para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa o total da economia do país.

Na avaliação de especialistas, além dos serviços mais óbvios que seguem com alta demanda, como educação e internet, puxam a expansão desse setor gastos tidos como supérfluos, como ir a restaurantes, viajar de avião e se embelezar.

— Turismo vai continuar crescendo. No ano passado, 7,5 milhões de pessoas viajaram pela primeira vez de avião. As pessoas brincam "quero ver na Copa", mas eu digo "quero ver quando a Classe C consumir mais". Ainda tem muita gente que não viajou de avião, e quando o fizer, não vai nunca mais querer pisar em um ônibus — disse Renato Meirelles, sócio diretor do Instituto Data Popular.

Segundo pesquisa da entidade, o gasto da classe média com despesas tidas como desnecessárias, como cabeleireiro e manicure, ocupa a segunda maior fatia entre desembolsos com serviços, atrás apenas de manutenção do lar. Da renda total da classe média, 22,6% é alocado nesses serviços. Já na classe baixa, esse gasto também é o segundo maior, consumindo 12,8% da renda dessas famílias.

No caso dos serviços de beleza, essa nova classe média não vê a despesa como uma futilidade, mas sim como um investimento, comportamento que mudou com a maior participação da mulher no mercado de trabalho.

— As mulheres consomem serviços de beleza não só pela vaidade. Elas querem se dar melhor no emprego, e veem que a beleza pode ajudar em áreas de atendimento. Ela acredita que terá mais sucesso se estiver com o cabelo legal, bem maquiada. É menos óbvio, os homens não entendem. Não é luxo: para elas, esmalte devia estar na cesta básica — diz Meirelles.

Luigi Nese, presidente da Confederação Nacional de Serviços concorda.

— Para mulher, salão de beleza não é supérfluo. Elas preferem gastar menos com comida, mas não deixam de gastar com beleza - afirma ele.

Nese avalia que outros serviços que mais devem crescer acima do da economia em geral são os ligados à tecnologia, como os de telefonia. Além disso, o executivo acredita que lazer para a família, como turismo e comer fora de casa, terá crescimento acentuado.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), o setor de serviços de alimentação faturou R$ 235 bilhões em 2011, crescimento de 16% em relação a 2010. Neste ano, o setor deve manter expansão acima de 12%, diz a Abia.

Os serviços financeiros também devem crescer mais do que a média do país, segundo a projeção da CNS.

— Acho que com a pressão que a presidente Dilma Rousseff fez pela redução dos juros, e agora reduzindo a taxa do cartão de crédito, pode dar uma condição melhor para quem contrata esses serviços. As pessoas podem usar mais serviços, mais cartão de crédito. Elas podem se ver mais dispostas a gastar mais, com menos juros — diz o presidente da entidade.

Fonte:  globo

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