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Estratégias para exploração de petróleo no Ártico serão definidas em maio

17 Jan 2013 05:33 | Ciência e tecnologias

Em meio ao degelo recorde registrado no Ártico em 2012 e à briga de petrolíferas para ampliarem a exploração no Norte do planeta, o Conselho do Ártico entra em 2013 com o desafio de encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação. O mundo inteiro está com os olhos voltados para a próxima reunião do órgão internacional, marcada para o dia 16 de maio. As oito nações que compõem o conselho — todas banhadas pelo oceano — se reunirão na cidade de Kiruna, na Suécia, para definir o futuro da região. Se por um lado o Ártico é conhecido como refrigerador da Terra, ele também é foco de decisões econômicas, por armazenar cerca de 20% das reservas de petróleo e gás no planeta.

Na pauta da reunião, está a mudança em parâmetros de regulamentação para a exploração do petróleo, além da avaliação de pedidos de nações que querem assentos de observadores no conselho. Segundo o diretor-executivo do órgão, o sueco Gustaf Lind, que assumiu a posição em maio de 2011, o desafio é resguardar o meio ambiente e a biodiversidade, já afetados pelo degelo acelerado no local.

— As exigências para os sistemas de segurança de petrolíferas que vão operar no Ártico precisam ser as mais altas do mundo. As distâncias são gigantescas, precisamos nos resguardar de acidentes. Queremos o desenvolvimento econômico da região, até porque as populações locais precisam de emprego, de alternativas de geração de renda. Mas é necessário priorizar a preservação.

Os oito membros permanentes do órgão são Dinamarca, Suécia, Estados Unidos, Canadá, Noruega, Islândia, Finlândia e Rússia. São esses países que, juntos, têm o poder de estabelecer estratégias para a região nas áreas ambiental e econômica. Outros países podem participar como observadores. Atualmente, o cargo é ocupado por França, Alemanha, Polônia, Reino Unido e Holanda. Outras nações terão seus pedidos analisados na reunião de maio.

O Brasil tem interesse em participar do órgão, mas ainda não foi aprovado. Para este ano, o país não apresentou candidatura. O governo de Pequim é o principal interessado e está correndo por fora, em busca de apoio de membros permanentes à sua candidatura. Embora no momento Islândia, Dinamarca e Suécia deem apoio abertamente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos recusou-se a dizer como vai votar. Qualquer candidatura depende de unanimidade para ser aprovada. Ano passado, a China enviou seu primeiro navio à Europa passando pelo Ártico, durante o período de degelo. O país alega que o oceano é uma "riqueza herdada por toda a humanidade", segundo comunicado divulgado no final do ano passado pela Administração Oceânica Estatal Chinesa.

— Como a China, há muitos países de olho no Ártico, porque as distâncias nas rotas de navegação para o Oriente podem ser até 40% menores. O degelo ajuda. Mas temos que ser cuidadosos com as decisões. Do outro lado da história, as populações locais já estão prejudicadas pela dificuldade de caça. Já as focas precisam do gelo para dar à luz seus filhotes e ursos polares utilizam as placas para caçar as focas na água — explicou Lind.

No dia 20 de setembro de 2012, o Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo (NSIDC, sigla em inglês) da Universidade do Colorado e apoiado pela Nasa, anunciou que a cobertura de gelo no Oceano Ártico havia atingido seu tamanho mínimo desde 1979, quando medições começaram a ser feitas. Apenas 3,41 quilômetros quadrados de extensão restavam. O número é 18% abaixo do registrado em 2007, ano do recorde anterior, e, numa comparação com o ponto mais alto de congelamento no inverno do ano passado, significa o derretimento de quase 12 milhões de quilômetros quadrados de gelo.

Segundo a climatologista norte-americana Julienne Stroeve, do NSIDC, que esteve em uma expedição do Greenpeace ao Ártico em setembro de 2012, da qual O GLOBO também participou, a exploração de combustíveis fósseis só vai acelerar o processo de degelo que, antes de 2030, acabará com a cobertura durante o inverno na região.

— Não sabemos como será em 2013, mas em breve registraremos um novo recorde, se não reduzirmos as emissões de gases efeito estufa. O petróleo é um grande vetor nisso — afirmou Julienne, por e-mail

Os dados do degelo iniciaram uma briga planetária entre ambientalistas, governos e multinacionais de petróleo, como a anglo-alemã Shell e a russa Gazprom. De um lado, as empresas, que suspenderam suas atividades até a temporada de 2013 (em meados do ano), querem retomá-las. De outro, ativistas querem a paralisação definitiva.

Este mês, a Shell foi posta na berlinda novamente, após ter um navio encalhado no Alasca. O acidente ocorreu no dia 31 de dezembro, e o navio só chegou ao porto de Seattle (EUA) em 8 de janeiro. ONGs apontaram o caso como um exemplo de dificuldade para lidar com acidentes na região, o que aumenta riscos ao meio ambiente em caso de derramamento de petróleo. Já a empresa afirmou que irá revisar todas as atividades de sua temporada de exploração no Alasca em 2012, para ampliar a segurança.

Fonte:  o globo

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